Plantas brasileiras chamam atenção da ciência por efeitos promissores contra câncer de pele e leucemia

Pesquisas com plantas brasileiras avançam na busca por novos medicamentos contra o câncer

A pesquisa científica com plantas brasileiras para o desenvolvimento de medicamentos anticâncer tem apresentado avanços relevantes nos últimos anos. Estudos têm destacado espécies como a avelóz (Euphorbia tirucalli) e o ipê-roxo, cujos compostos bioativos demonstraram efeitos promissores em testes laboratoriais.

A avelóz chama atenção pelo seu potencial terapêutico, embora exija extrema cautela devido à sua toxicidade, o que inviabiliza seu uso direto sem rigoroso controle farmacológico. Já o ipê-roxo tem sido amplamente estudado por conta do lapachol, substância que demonstrou capacidade de induzir apoptose (morte celular programada) em células tumorais em estudos experimentais.

⚠️ Limitações das terapias atuais e o desafio da resistência aos medicamentos

Um dos principais problemas enfrentados por pacientes submetidos às terapias modernas contra o câncer é a ocorrência de efeitos colaterais severos. Além disso, um desafio crescente é o desenvolvimento da multirresistência a medicamentos (MDR – multidrug resistance).

A MDR pode ser definida como a capacidade das células cancerosas de sobreviver a diferentes agentes quimioterápicos, tornando os tratamentos progressivamente menos eficazes. Esse fenômeno é considerado um dos maiores obstáculos para o sucesso da terapia oncológica.

🧬 Como as células cancerosas desenvolvem multirresistência

Pesquisas ao longo dos anos identificaram diversos mecanismos associados à MDR, entre eles:

ativação de sistemas de desintoxicação celular;

modificação dos alvos das drogas;

alterações no ciclo celular;

aumento da capacidade de reparo do DNA;

inibição da apoptose;

e o efluxo de medicamentos, mecanismo no qual as drogas são rapidamente expulsas da célula.

Esse último processo ocorre, em grande parte, devido à ação da glicoproteína P (P-gp), uma proteína transportadora localizada na membrana celular que reduz o acúmulo intracelular de quimioterápicos.

🌱 Compostos vegetais como alternativa promissora

Diante das limitações dos agentes sintéticos para reverter a MDR — muitos dos quais falharam em ensaios clínicos por causarem efeitos adversos graves —, pesquisadores têm voltado sua atenção para compostos naturais isolados de plantas.

Estudos recentes indicam que diversas substâncias vegetais conseguem agir contra células cancerosas resistentes a múltiplos medicamentos, apresentando baixa toxicidade em células saudáveis. Um exemplo já amplamente estudado é a curcumina, que, quando associada a fármacos usados no câncer de pulmão, demonstrou reduzir a resistência medicamentosa.

🔬 Estudo brasileiro com Clusia studartiana

Em um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros, foram isolados triterpenos pentacíclicos da planta Clusia studartiana, pertencente à família Clusiaceae, tradicionalmente utilizada no tratamento de inflamações, infecções e tumores.

Os compostos foram testados em linhagens de melanoma humano (SKMEL-28) e leucemia mieloide (K562). Três substâncias foram identificadas:

3-oxo-friedelina

3-β-hidroxi-friedelina

ácido 3-oxo-olean-12-en-28-óico

Os resultados mostraram que o ácido 3-oxo-olean-12-en-28-óico foi o composto mais promissor, promovendo apoptose e necrose celular, além de aumentar a expressão das caspases 3 e 7, proteínas essenciais nos processos de morte celular programada.

Além disso, o composto demonstrou capacidade de inibir a atividade da glicoproteína P (P-gp), sugerindo um papel importante na prevenção da multirresistência a medicamentos.

🧠 Conclusão científica

Com base nos resultados, os pesquisadores concluíram que os triterpenos isolados de Clusia studartiana, especialmente o ácido 3-oxo-olean-12-en-28-óico, representam potenciais candidatos ao desenvolvimento de novos fármacos anticâncer. No entanto, os autores ressaltam que os achados ainda se limitam a estudos laboratoriais, sendo necessários ensaios clínicos rigorosos para avaliar segurança e eficácia em humanos.

📚 Fontes científicas:

Science.news

NCBI

AcademicJournals

ScienceDirect

Adrien (Claudia Marinho)

​"Carioca da gema e inquieta por natureza. Sou formada em Direito e Publicidade, mas meu verdadeiro diploma é na arte de questionar o que a maioria aceita sem pensar.

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